INSPEÇÕES DE ROTINA

O plano de manutenção de motores aeronáuticos indica diversas ações, desde a substituição de componentes com intervalos definidos até inspeções de rotina. Essas inspeções podem ser visuais e/ou utilizando equipamentos especiais, tal como o boroscópio. Já a substituição de componentes podem ser de filtros de óleo e combustível, de acessórios do motor tais como FCU, bomba de combustível e outros.


As inspeções visuais contemplam as conexões de acessórios para evitar vazamentos de combustível ou de óleo; as linhas pneumáticas de referência (tomada de pressão de ar) que são responsáveis pelos sinais para os acessórios manterem a correta operação do motor; a entrada de ar para avaliar possíveis FOD (Foreign Object Damage); também poderão ser inspecionados os filtros de óleo e combustível e os chips detectores de limalha. Já para os itens com vida limite, o manual contempla o intervalo para substituição de bicos injetores e de acessórios, tais como bleed valve, FCU, bomba de combustível e outros. Por fim, há também as inspeções boroscópicas da seção quente, que avaliam possíveis danos à câmara de combustão, estatoras e blades da turbina de alta, e do restante do conjunto de turbinas e turbinas de potência.


É de extrema importância que as inspeções sejam executadas em conformidade com o plano de manutenção de cada motor para evitar possíveis remoções prematuras, para minimizar “surpresas” com custos de reparo quando os motores forem enviados para oficinas para a execução de serviços programados, e para a manutenção de uma operação segura e em conformidade com o projeto do motor.


Os únicos requisitos para a execução das inspeções são que os técnicos devem ser experientes e estar habituados com o tipo de serviço a ser realizado, que estejam disponíveis as ferramentas e os manuais atualizados, pois neles estão indicados os procedimentos e os critérios de aceitação de uma inspeção. É importante ressaltar que podem existir danos nos motores, que a ocorrência deles é aceitável a medida que a o tempo de operação vá se prolongando. Porém eles precisam ser enquadrados nos critérios indicados pelos manuais para evitar uma remoção prematura e inadequada. Nem sempre o motor deverá ser removido! A maioria dos danos poderão ser monitorados, e caso eles continuem progredindo, poderão ser efetuados ajustes nos intervalos de inspeção até que seja necessário a remoção do motor para reparo. Mas isso só poderá ser efetuado se o motor continuar atingindo os parâmetros de operação, e isso é comprovado através dos testes de potência (Power Assurance Check) onde podem ser observados as margens de temperatura e rotação dos conjuntos, se o motor está atingindo a potência necessária (torque e/ou empuxo), e que a temperatura e pressão de óleo estejam dentro dos limites.


Enfim, com as inspeções de rotina, podemos verificar a condição do motor, garantir que ele continue operando para atingir a potência máxima requerida para cada operação e por fim, amenizar as surpresas com elevados custos de reparos durante serviços em oficina.

Related posts