PLANO DE MANUTENÇÃO

Manuais de motores aeronáuticos preveem um plano de manutenção elaborado pelo fabricante e certificado pelo órgão regulamentador, e é de extrema importância que seja seguido à risca, tanto para garantir que sua operação esteja enquadrada nos parâmetros de projeto, quanto para que as condições de operação sejam conhecidas, e assim seja possível traçar planos de ação de manutenção corretivas durante pesquisas de pane e que seja possível observar a degradação do motor de forma segura.


O primeiro passo do operador é identificar como o plano de manutenção será tratado, visto que podem ser Hard Time, On Condition e Condition Monitoring. Uma variável importante na definição do plano de manutenção a ser seguido é o tipo de operação e a duração da operação, que pode ser High e Low Utilization. Em seguida, com consentimento do órgão regulamentador, o plano deverá ser implementado seguindo todas as tarefas programadas e limites de vida útil indicados pelo fabricante do motor. Essas tarefas indicam ações de inspeções internas e externas do motor, que devem ser cumpridas com o motor na asa, ações de manutenção programadas, e por final, o controle dos componentes com vida limite. O plano de manutenção previsto nas ATAs 04 e 05 de cada manual, normalmente apresenta as manutenções preventivas requeridas.


Sobre as inspeções externas, são levadas em consideração as conexões dos acessórios, suas linhas de referência (sangria de ar/tomada de pressão) e alimentação (tubulações de óleo e combustível), onde são observados amassados, pancadas, trincas, vazamentos, falta de frenos, roçamentos, etc.


Já as inspeções internas são apresentadas de tal forma que as referências e os critérios do processo são apresentados para análise de danos observados. São indicados os limites de comprimento, sentido e quantidade de trincas nas estatoras, roçamento de shrouds, danos nas Blades dos compressores e turbinas, trincas na câmara de combustão e até vazamento de óleo.


Em relação as ações de manutenção programadas, são indicados os intervalos para a substituição do óleo, limpeza e lavagem de compressor, reaperto de linhas de referência (com torque adequado), conexão de acessórios e substituição do conjunto de bicos injetores.


Também é indicado no plano de manutenção a vida limite (Tempo de serviço máximo de um componente) de cada componente controlado do motor, como os compressores, turbinas, blades, selos, eixos e rolamentos, e os intervalos para cumprimento de HSI e Overhaul.


Sobre o HSI (Inspeção da Seção Quente), é importante lembrar que dependendo do tipo de motor, ele pode ser cumprido na asa, de forma tal que não seja necessário a sua remoção, e neste caso são utilizadas diversas ferramentas especiais. São necessários técnicos treinados e familiarizados com o tipo de serviço e motor, para que todos os danos ocultos sejam tratados da melhor forma possível. Após o HSI, é efetuado um teste do motor também na asa para  verificar se os parâmetros requeridos para a operação serão atingidos, e só após a sua aprovação é que o motor poderá retornar para operação.


Por fim, sobre o Overhaul (Revisão Geral) do motor, que se trata da maior ação de manutenção programada requerida. É necessário que este seja enviado para uma oficina capacitada para tal, pois são necessários processos especiais que requerem um amplo suporte em ferramentas e técnicos especializados. Após todo o processo de desmontagem, limpeza, inspeção, reparos e remontagem, o motor é testado em um banco de provas, e só após tudo isso é que o motor pode ser liberado de forma segura para retorno a operação.

Related posts