REDUÇÃO DE CUSTOS COM REGISTRO DE OPERAÇÃO

Motores PT6A tem em sua construção conjuntos rotativos que comprimem o ar para a câmara de combustão e em seguida extraem a energia térmica em forma de energia mecânica, e assim se dá a rotação do conjunto de hélice. Os principais rotativos são os Hub, 2nd Disk Compressor, 3rd Disk Compressor, Impeller, CT Disk e PT Disk, e cada um tem uma vida limite que é listada no boletim de Rotor Component Service Life Limits ou no manual de manutenção do motor, definida pelo fabricante.

Este boletim é específico para cada modelo de motor e apresenta a fórmula como deve ser calculado os ciclos totais acumulados (Accumulated Total Cycles) para que sejam comparados a vida limite de cada peça. A vida limite é definida pelo fabricante de cada tipo de motor, buscando atender aos requisitos de projeto para evitar fadiga ou outros tipos de danos que possam comprometer a operação do mesmo. O cálculo destes ciclos levam em consideração o número de partidas do motor, o número de voos da aeronave e fatores definidos pelo fabricante do motor, que dependem do tipo de operação ao qual ele será submetido. Ele visa atender aos requisitos do fabricante do motor, mantendo uma operação em conformidade com o plano de manutenção aprovado pelo órgão regulamentador.

O correto registro do número de partidas e de voos é de extrema importância para que o motor sempre opere nas condições previstas pelo fabricante. É importante ressaltar que em caso de registro incompleto ou incorreto, a vida dos componentes poderá ser penalizada. Operadores que não registram o número de partidas devem verificar no manual do fabricante como deverão ser calculados o número total de ciclos, porém normalmente deverão ser considerados os números de partidas como iguais ao número de voos.

Um exemplo de como isso pode afetar a vida do motor seria o caso de um operador que efetua dois voos com apenas uma partida de motor, e que não registra o número de partidas. Ele deverá considerar duas partidas e dois voos, como previsto no manual do fabricante. Porém, quando ele for aplicar estes parâmetros para o cálculo da vida dos componentes, poderá observar uma operação com um custo mais elevado, de aproximadamente 35% em relação a um operador que registre o número de partidas. Este custo poderia ser reduzido, sempre que o número de voos for superior ao número de partidas.

Na prática, o correto registro e cálculo da vida total dos componentes impacta apenas em sua substituição programada próximo a sua vida limite, ou seja, o operador do exemplo acima teria que substituir os conjuntos no limite de cada peça com 35% a menos de tempo de operação se comparado a um operador com a mesma operação que registrasse o número de partidas.

Para se exemplificar melhor os custos, um conjunto novo de rotativos controlados de PT6A podem custar cerca de U$ 300.000,00, e os componentes tem uma vida limite que variam de 16.000 até 24.000 ciclos. Ou seja, considerando a operação total dos conjuntos do motor pelo exemplo dado anteriormente, o proprietário do motor teria um custo de U$ 105.000,00 maior se comparado a uma operação em que fossem registrados todos os números de partidas do motor.

Autor: Mateus Ferreira

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